| Errar é Humano, mas insistir é asneira | ![]() |
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Há cerca de 30 anos, no liceu, li um conjunto de textos relativos ao diagnóstico sócio-económico de Portugal – estávamos no final da década de 70 e a análise tinha por base a observação da realidade portuguesa dos 30 anos anteriores. Eram apontados quatro aspectos que necessitavam de uma revisão urgente e para os quais parecia existir na sociedade portuguesa relativo consenso: A excessiva concentração demográfica no litoral com particular ênfase para as regiões de Lisboa e do Porto, o baixo índice de literacia face aos outros países da Europa, a má distribuição da riqueza e, por último, uma intervenção estatal excessivamente burocrática. Salvo melhor opinião, atrevo-me a dizer que mantemos bem vincadas essas características. A inexistência de um modelo de ensino que suporte as necessidades da família contemporânea, enquadrado com o projecto de desenvolvimento estratégico, social e económico para Portugal é o sinal mais que visível de vários males. É a maior evidência da irresponsabilidade e incompetência com que o nosso país tem sido gerido. Não há nem modelo de ensino que prepare os nossos filhos para os desafios do século XXI, nem ao que parece, nenhum plano estratégico para Portugal. Existem apenas etapas e projectos avulso. Portugal tem sido governado por um grupo de políticos, na sua maioria sem outra profissão, que tem aportado grandes benefícios para um grupo de interesses muito restrito, geralmente associados aos partidos que representam. Tudo isso tem sido feito sem quaisquer critérios de mérito, rigor, transparência ou responsabilização. Não há processo-crime que envolva políticos ou as respectivas famílias de interesses que seja conclusivo. Os sucessivos governos dos últimos 30 anos gastam sempre mais do que as receitas. Os partidos do poder (PCP, Bloco de Esquerda e CDS-PP incluídos) recebem milhões de euros por ano. Os antigos detentores de cargos públicos eleitos têm regalias e pacotes de reformas especiais. Para além dos “jobs for the boys” percebemos que também há “houses for the boys”. Há mais motoristas per-capita na administração pública portuguesa do que em qualquer outro país europeu. Somos o único país do mundo onde o governo manda encerrar a universidade onde supostamente o primeiro-ministro obteve, não livre de imensa polémica, a sua licenciatura. O ministro das finanças é considerado em Portugal o melhor ministro do governo sendo na Europa considerado o pior ministro das finanças de um país da zona euro. O modo de funcionamento da assembleia da república faz lembrar o de uma turma de liceu muito mal comportada. Os bancos não são independentes do poder político. O presidente da entidade das contas e financiamentos políticos demite-se declarando não ser capaz, por bloqueio do sistema, de uma intervenção eficazmente séria e isenta. Só um grande povo sobrevive a uma dose tão forte de abusos de poder e de total desvario governativo. É por isso que acredito que é possível mudar Portugal. Os portugueses e Portugal, hoje subaproveitados, se irrepreensivelmente liderados, com um projecto e um desígnio, serão, em equipa, certamente capazes de mostrar ao mundo aquilo que de que são feitos. Este povo está saturado de pagar a factura de tamanho egoísmo. Este país não necessita de ditadura nenhuma. Não vale a pena continuarmos a insistir no mesmo erro. 2009 é a oportunidade de mudar. Este país necessita de ser governado por quem ponha os interesses dos cidadãos e do país à frente de quaisquer outros e que respeite os compromissos assumidos com os eleitores. Não é difícil, é apenas uma questão de integridade e honestidade.
Eduardo Correia |
Texto retirado do site do MMS (Movimento Mérito e Sociedade)
Não podemos desligar este texto de opinião do motivo político subjacente, no entanto penso que retrata (e explora) bem o descrédito que actualmente os portugueses têm no sistema político.



Publicado por aphilipe