O que não faria este país se tivesse uma estratégia?

Agosto 23, 2008

Aqui segue um simples copy/paste de um post interessante que encontrei aqui… é um pouco extenso mas vale a pena.

João César das Neves – Economista

PORTUGAL FEZ TUDO ERRADO, MAS CORREU TUDO BEM !!!!!!!!
Esta é a conclusão de um relatório internacional recente sobre o desenvolvimento
português.
Havia até agora no mundo países desenvolvidos, subdesenvolvidos e em vias de
desenvolvimento. Mas acabou de ser criada uma nova categoria: os países que não
deveriam ser desenvolvidos. Trata-se de regiões que fizeram tudo o que podiam
para estragar o seu processo de desenvolvimento e… falharam.
Hoje são países industrializados e modernos, mas por engano. Segundo a fundação
europeia que criou esta nova classificação, no estudo a que o DN teve acesso,
este grupo de países especiais é muito pequeno. Alias, tem mesmo um só
elemento: Portugal.
A Fundação Richard Zwentzerg (FRZ), iniciou há uns meses um grande trabalho
sobre a estratégia económica de longo prazo. Tomando a evolução global da
segunda metade do século XX, os cientistas da FRZ procuraram isolar as razões
que motivavam os grandes falhanços no progresso. O estudo, naturalmente,
pensava centrar-se nos países em decadência. Mas, para grande surpresa dos
investigadores, os mais altos índices de aselhice económica foram detectados em
Portugal, um dos países que tinha também uma das mais elevadas dinâmicas de
progresso.
Desconcertados, acabam de publicar, à margem da cimeira de Lisboa, os seus
resultados num pequeno relatório bem eloquente, intitulado: “O País Que Não
Devia Ser Desenvolvido”
O Sucesso Inesperado dos Incríveis Erros Económicos Portugueses.
Num primeiro capítulo, o relatório documenta o notável comportamento da economia
portuguesa no último meio século. De 1950 a 2000, o nosso produto aumentou quase
nove vezes, com uma taxa de crescimento anual sustentada de
4,5 por cento durante os longos 50 anos. Esse crescimento aproximou-nos
decisivamente do nível dos países ricos. Em 1950, o produto de Portugal tinha
uma posição a cerca de 35 por cento do valor médio das regiões desenvolvidas.
Hoje ultrapassa o dobro desse nível, estando acima dos 70 por cento, apesar do
forte crescimento que essas economias também registaram no período. Na
generalidade dos outros indicadores de bem-estar, a evolução portuguesa foi
também notável.
Temos mais médicos por habitante que muitos países ricos. A mortalidade infantil
caiu de quase 90 por mil, em 1960, para menos de sete por mil agora. A taxa de
analfabetismo reduziu-se de 40 por cento em 1950 para dez por cento.
Actualmente a esperança de vida ao nascer dos portugueses aumentou 18 anos no
mesmo período. O relatório refere que esta evolução é uma das mais
impressionantes, sustentadas e sólidas do século XX. Ela só foi ultrapassada
por um punhado de países que, para mais, estão agora alguns deles em graves
dificuldades no Extremo Oriente. Portugal, pelo contrário, é membro activo e
empenhado da União Europeia, com grande estabilidade democrática e solidez
institucional. Segundo a FRZ, o nosso país tem um dos processos de
desenvolvimento mais bem sucedidos no mundo actual.
Mas, quando se olha para a estratégia económica portuguesa, tudo parece ser ao
contrário do que deveria ser. Segundo a Fundação, Portugal, com as políticas e
orientações que seguiu nas últimas décadas, deveria agora estar na miséria. O
nosso país não pode ser desenvolvido. Quais são os factores que, segundo os
especialistas, criam um desenvolvimento equilibrado e saudável? Um dos mais
importantes é, sem dúvida, a educação.
Ora Portugal tem, segundo o relatório, um sistema educativo horrível e que tem
piorado com o tempo. O nível de formação dos portugueses é ridículo quando
comparado com qualquer outro país sério. As crianças portuguesas revelam níveis
de conhecimentos semelhantes às de países miseráveis. Há falta gritante de
quadros qualificados. É evidente que, com educação como esta, Portugal não pode
ter tido o desenvolvimento que teve. Um outro elemento muito referido nas
análises é a liberdade económica e a estabilidade institucional. Portugal tem,
tradicionalmente, um dos sectores públicos mais paternalista, interventor e
instável do mundo, segundo a FRZ. Desde o “condicionamento industrial”
salazarista às negociações com grupos económicos actuais, as empresas
portuguesas vivem num clima de intensa discricionariedade, manipulação,
burocracia e clientelismo. O sistema fiscal português é injusto, paralisante e
está em crescimento explosivo. A regulamentação económica é arbitrária,
omnipresente e bloqueante.
É óbvio que, com autoridades económicas deste calibre, diz o relatório, o
crescimento português tinha de estar irremediavelmente condenado desde o
início. O estudo da Fundação continua o rol de aselhices, deficiências e
incapacidades da nossa economia. Da falta de sentido de mercado dos empresários
e gestores à reduzida integração externa das empresas; da paralisia do sistema
judicial à inoperância financeira; do sistema arcaico de distribuição à
ausência de investigação em tecnologias. Em todos estes casos, e em muitos
outros, a conclusão óbvia é sempre a mesma:
Portugal não pode ser um país em forte desenvolvimento.
Os cientistas da Fundação não escondem a sua perplexidade.
Citando as próprias palavras do texto:
“Como conseguiu Portugal, no meio de tanta asneira, tolice e desperdício, um tal
nível de desenvolvimento?”
A resposta, simples, é que ninguém sabe.
Há anos que os intelectuais portugueses têm dito que o País está a ir por mau
caminho. E estão carregados de razão. Só que, todos os anos, o País cresce mais
um bocadinho. A única explicação adiantada pelo texto, mas que não é
satisfatória, é a incrível capacidade de improvisação, engenho e
“desenrascanço” do povo português. No meio de condições que, para qualquer
outra sociedade, criariam o desastre, os portugueses conseguem desembrulhar-se
de forma incrível e inexplicável.
O texto termina dizendo: “O que este povo não faria se tivesse uma estratégia certa?”.

Mais um ano de Turres Veteras

Agosto 22, 2008

O Turres Veteras original foi inaugurado no final de Agosto de 2004.

Quatro anos desde que iniciou a aventura que já teve momentos gloriosos e momentos menos gloriosos…

Aqui estamos, na nossa terceira versão, à espera de arrancar em força. Será que mais umaniversário servirá de pretexto?

Hã?


Do ouro, da prata e dos pechisbeques…

Agosto 22, 2008

Os jogos de Pequim têm dado muito que falar por esse mundo fora. Em Portugal não é excepção. Se ao princípio os nossos jornalistas viravam atenção para as tropelias da democrática China e para as meninas que afinal eram feias e para o fogo de artifício que foi noutro dia, cedo começaram a voltar a sua e a nossa atenção para a ausência de medalhados. A questão foi muito explorada e houve quem tivesse tido intervenções lamentáveis e pouco dignas, no entanto a necessidade de fazer sangue de determinados ‘profissionais’ não está totalmente desprovida de fundamento.

Vanessa Fernandes – medalhada com prata – veio dar forte e feio na mona dos outros. Na tv aquilo passou como ‘magister dixit’, afinal ela tinha ganho uma medalha… não é que eu ache que ela não tem razão… foram vários os que ali foram demasiado ‘na desportiva’… Pena para nós que nem todos os atletas tenham a preparação que a Vanessa tem hipótese de ter e que passa muito por preparação moral… vi a reportagem sobre ela e ela tem mesmo muito apoio moral, da família do treinador, etc… ainda bem. Só assim temos uma atleta com o espírito de sacrifício e o empenho dela. Outros atletas da nossa delegação não têm um moral tão elevado ou não são tão ambiciosos e parecem ter ido aos Jogos Olímpicos mais para desfrutar do simples facto de ter sido apurado ( e a verdade é que ser apurado é já uma grande vitória) do que para dar o tudo por tudo à moda da Vanessa, da Naide, do nosso medalhado de ouro Nélson, do Lima e de alguns outros… Há quem tenha lá ido para ficar na ‘caminha’ de manhã e ver as vistas à tarde… isso é que é pena. Não são os nossos impostos que pagam isto?